domingo, 2 de fevereiro de 2014

Sem sonho é impossível continuar.
A fantasia é caminho para permanência,
pois a realidade se transmutará
em lâmina afiada e fria de navalha
projetada com excelência para produzir corte
somente percebido depois de a ferida pronunciar-se letal.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Sentir saudade não é tão ruim assim:
dolorosamente devastador
é não ter ninguém de quem sentir saudade.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Há pessoas que morrem
ao parar de respirar.
Quem vive na solidão,
morre a cada segundo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Juliana


Vi Juliana.
Ouvi Juliana.
Toquei, respeitosamente, a mão de Juliana.
Ela me ouvia, mas não me apetecia falar.
Quis ouvi-la mais e mais.
Juliana  sorriu. Linda, um sorriso brilhante.
O ciclo dos ponteiros se fechou em sessenta, dilacerando de modo célere aquele momento de felicidade.
Toquei Juliana, sonho, prazer e passado,
Nunca mais retornará aquele fragmento de tempo 
no qual a felicidade estava concentrada.
De volta à solidão, guardo, revolvo na memória.
E sou grato a Juliana por ver em mim um homem, uma pessoa.
Ela me fez  acreditar que eu seria capaz de amar.

sábado, 2 de novembro de 2013

Olhar para lugar nenhum.
Mergulhar dentro de si mesmo.
Esse é destino da pessoa que vive na solidão.
 
A máscara social tenta, e pode ludibriar
o olhar de quem vê um ser emparedado pelo claustro da solidão.
 
Sua alma, no entanto, não passa de um punhado de fragmentos disformes, irregulares.
Resultado do dilacerar imposto pela dor de se saber impotente e incompetente para atrair alguém disposto a compartilhar, ao menos um momento, uma minúscula fração incontável de tempo.
 
Precisamente o tempo que fere, pois repleto, cheio de ausência.

Nenhuma saudade, pois ninguém se aproximou a ponto de deixar traços.
Só a dor do nada.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Vi uma linda mulher,
duas, três, dezenas, milhares.
Não pude descobrir se havia algum ser humano
naquele turbilhão de beleza:
nenhuma delas permitiu que eu me aproximasse;
sou feio.